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EU SOU LIVRE?

Mulher feliz na praia
Mulher feliz na praia

Há pouco, divaguei sobre a liberda

de e senti o quanto estamos presos em grades invisíveis...


Algumas vezes tenho a sensação de que ainda somos escravos, acorrentados a situações que, muitas vezes, nem nos dizem respeito — mas pelas quais nos sentimos, de alguma maneira, responsáveis. É um misto de pena, medo e incertezas.


Somos aprisionados por memórias presentes e outras escondidas no nosso inconsciente. Às vezes, precisamos encarar a verdade cruel de que, para sobreviver, teremos que magoar alguém. Precisaremos retomar a nossa própria vida, mesmo que isso fira expectativas alheias.


Sim, estamos presos sentimentalmente na matrix, e a libertação depende apenas de nós. Somos humanos sensíveis. A racionalidade parece sempre ficar em segundo plano. Às vezes, é preciso expor a realidade nua e crua para alguém que insiste em viver uma ilusão na qual você é um personagem involuntário.


Eu só quero uma vida real.

Eu só quero ser eu mesma.

Não quero fazer parte do mundo fantasioso de alguém que nega a realidade dos fatos.


E, no fundo, percebo que grande parte da nossa “prisão” nasce do medo de ferir — quando, na verdade, o maior ferimento acontece quando deixamos de existir por inteiro. Quando nos encolhemos para caber no que o outro deseja. Quando silenciamos percepções, dores e verdades só para não desmontar o castelo ilusório de alguém.


A liberdade dói.

Ela exige coragem.

Ela cobra posicionamento.


E talvez seja por isso que tantos preferem permanecer onde estão, mesmo desconfortáveis: porque a jaula conhecida parece mais segura do que a vastidão desconhecida da autenticidade.


Mas existe um ponto em que o corpo fala, a alma grita e o coração começa a pedir socorro. É quando entendemos que ninguém pode viver por nós. Ninguém pode decidir por nós. E ninguém tem o direito de impor sua fantasia ao custo da nossa lucidez.


Ser livre é assumir a responsabilidade de se retirar de enredos que não nos pertencem — mesmo que isso frustre expectativas, mesmo que nos chamem de frios, mesmo que nos culpem por romper um roteiro que nunca pedimos para atuar.


A verdade é que, para viver de forma plena, precisamos aceitar que algumas pessoas só nos amam se continuarmos cegos junto com elas. Precisamos aceitar que alguns vínculos se sustentam em nossa renúncia, não em afeto genuíno.


E eu não quero mais isso.

Quero respirar sem pedir permissão.

Quero sentir sem me justificar.

Quero caminhar sem carregar fantasmas que não são meus.


Quero viver no mundo real — mesmo que ele seja áspero, mesmo que me convide a me reinventar. Prefiro a força da verdade à suavidade artificial das ilusões.


Porque, no fim, a liberdade não é um destino final:é o momento em que decidimos, pela primeira vez, parar de fugir de nós mesmos.

 
 
 

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